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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Pelo direito à opção: eu escolhi não ter filhos - e consegui!


Há quase 2 anos atrás eu escrevi uma postagem manifestando minha vontade de não ter filhos. De lá pra cá muita água rolou, muita coisa mudou, menos essa vontade. Como eu tinha dito na época, fui barrada de todas as maneiras possíveis, mas hoje, com 30 anos completos, eu posso comemorar um objetivo conquistado: consegui minha laqueadura pelo sistema público de saúde, sem nem ao menos ter estado grávida uma única vez.

A maioria dos motivos que me levaram a essa decisão podem ser conferidos na postagem que mencionei anteriormente, embora de lá pra cá ainda mais razões acabaram se tornando evidentes para que minha decisão fosse apenas reforçada.

Então, com a taça em mãos, volto ao assunto para trazer à tona que se eu consegui, você também pode. Independente de ser homem, mulher, de ter ou não filhos, você pode fazer essa opção. E vou contar minha trajetória.


A parte prática

O que tornou meu sonho possível foi a Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996 de Planejamento Familiar. Confira:

(se as letrinhas estiverem muito pequenas é só clicar na imagem para abrir em tamanho original, ou clicar aqui para redirecionar para o link oficial)

Mas na prática a coisa é bem diferente. Dificilmente alguém vai admitir que essa lei existe a não ser que você prove o contrário. Foi o que aconteceu comigo há dois anos, quando eu vi com meus próprios olhos a enfermeira conversar com mais de um(a) assistente social por telefone e insistirem que eu precisava ser mãe de dois para ter direito à esterilização.

As coisas só mudaram quando eu fiquei sabendo que tinha entrado uma assistente social no posto de saúde em que eu me consulto, e resolvi tentar novamente. Ao contrário de todos os outros profissionais, ela foi a primeira a admitir que eu realmente tinha esse direito, apesar de não incentivar. Tivemos uma longa conversa, ela me contou um sem número de histórias de pessoas que ela conhece que não queriam ter filhos e mudaram de ideia ao longo do tempo, de mulheres que fizeram laqueadura e se arrependeram depois, etc.


E no final das contas, embora por lei a pessoa possa optar pela esterilização a partir dos 25 anos, ela recomendou que eu entrasse com o pedido com 30 - eu já estava com 29 - para aumentar as chances de ser atendida. E assim o fiz. E assim consegui.

O processo é exaustivo. Não, não o processo burocrático. As pessoas são exaustivas. De outubro a fevereiro - tempo entre a entrada do pedido e minha cirurgia - eu simplesmente perdi as contas de quantas vezes tive que explicar das maneiras mais diferentes que sim, eu tinha certeza e que não, esse procedimento não era ilegal. Entre as perguntas mais comuns, provavelmente você vai ouvir:

- Mas e se você se arrepender depois?
Bom, a vontade é de responder "aí já foi, né". Mas eu vou mais longe: já falei sobre isso no meu perfil pessoal e volto a falar aqui. Imagine a seguinte situação: você engravidou, está super feliz e vai contar pros seus amigos, colegas e familiares. A maioria te parabeniza, lógico, porque é o certo a se fazer, mas eis que surge alguém visivelmente consternado e pergunta: "mas e se depois você se arrepender?". Quero dizer, você não vai responder que em caso de arrependimento vai matar seu filho, né. Ou doar para alguém que queira. Porque em tese você está fazendo uma escolha que não lhe permite arrependimento. Embora eu e você estejamos optando por coisas totalmente opostas, o princípio é o mesmo. Eu estou tomando uma decisão para o resto da vida, exatamente como você, e espero que meu desejo seja respeitado.

- Mas e se você conhecer o amor da sua vida?
Essa dá até vontade de pular. Porque sério, é muito antigo que as pessoas ainda pensem que o amor entre duas pessoas só será completo caso elas gerem um ser vivo que se origine exclusivamente do DNA dos dois. Mais uma vez: ninguém faz essa pergunta a alguém ao descobrir que essa pessoa é naturalmente estéril, faz? Also, alguém já parou para pensar em quantas crianças já existem no mundo loucas por um lar cheio de amor? Eu simplesmente não consigo aceitar que para amar uma criança ela precise ter meus genes ou sair do meio das minhas tripas. E se o amor da minha por acaso cogitar que eu não seja adequada pra ele porque não posso gerar filhos "legítimos", definitivamente ele não é o amor da minha vida.


Resumindo, a maioria das perguntas não gira em torno de você ou da sua vontade, mas da vontade de uma pessoa que ainda nem existe na sua vida, e isso é inaceitável pra mim! Hoje eu não penso nem em gerar uma criança - até porque já providenciei para que isso não acontecesse - e nem em adotar, porque acho que não conseguiria suportar a pressão de todos os dias imaginar se meu filho voltaria vivo da escola ou não seria sequestrado no meio do caminho pra padaria. Se um dia conseguir lidar emocionalmente com essas questões, a adoção será uma ideia muito bem-vinda.

Não se engane ao pensar que a partir do momento que seu pedido for deferido que seu desgaste acabou: você vai continuar ouvindo questionamento de todas as pessoas possíveis/imagináveis: eu estava sendo sedada na sala de cirurgia e continuava respondendo aos profissionais como eu havia conseguido aquilo e se eu tinha certeza.


Sistema Público de Saúde

Eu considero 4 meses um tempo aceitável entre meu pedido e a liberação da cirurgia. Não digo isso apenas levando em consideração a lentidão da saúde pública, mas é diferente você saber que tem certeza do que quer antes de entrar com o pedido e depois. O passo já foi dado, e esses meses são um tempo que pode vir bem a calhar para uma reflexão mais profunda sobre suas razões e motivações.

Minha cirurgia foi marcada para as 20:00 horas e a orientação era para que eu estivesse no hospital às 12:00 horas para internação. Mas o que aconteceu foi que não havia leitos disponíveis para todos e eu e minha mãe fomos obrigadas a esperar na recepção durante seis longas horas no desconforto de uma poltrona apertada e muito, muito calor. Talvez essa tenha sido a pior parte.

Depois da cirurgia os leitos continuaram raros, e fomos obrigadas a ficar, eu mais umas dez pessoas, em um cômodo que é usado para o paciente se recuperar da anestesia e então ser encaminhado para o quarto. Mas sem quartos... O jeito foi improvisar. A parte boa é que acabei fazendo amizade com a mulherada e o tempo acabou passando mais rápido.

Resumo da ópera: no outro dia, por volta das 15:00 horas eu já estava a caminho de casa. E hoje, um pouco mais recuperada, escrevo meu relato, a fim de esclarecer de uma vez esse mito e de mostrar que é possível. Basta um pouco - ou talvez não tão pouco - de paciência e insistência.

Ah, e eu não poderia deixar de citar o caso de uma das mulheres que conheci lá: seu nome é Lucy e ela estava se recuperando de uma mastectomia. Lutando contra o câncer, a maior força ela está tirando dos quatro filhos, todos adotados! Alguém ainda acha que ela é menos mãe por isso?

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Porque as telenovelas me irritam


Talvez eu deva começar fazendo uma observação: a última novela que eu realmente acompanhei foi O Clone, que foi exibida em 2001/2002 - ou seja, eu tinha 18 anos. Mas a essa altura já achava tudo muito clichê e canastrão.
A novela traz tudo em preto e branco. Os mocinhos são o exemplo da benevolência e ingenuidade. Os vilões são o total oposto. São praticamente a representação do coisa-ruim na Terra. Não apresentam sequer um episódio de bom caráter, conseguem ser maus até dormindo.

Ninguém parece se lembrar que por via de regra, todos nós temos um pouco de coisa boa, e um pouco de coisa ruim (ok, como uma pessoa que não curte muito os seres humanos em geral, acabo achando que a maioria tem muito mais coisa ruim do que coisa boa, mas você entendeu onde eu quero chegar). Quero dizer, eu mesma tenho bastante orgulho do ser humano no qual me tornei, mas admito que tenho meus defeitos, que não são poucos. E certamente você também tem.

Mas voltando à novela. Pode parecer hipocrisia a crítica ao formato da novela vindo de uma pessoa que acompanha umas 20~30 séries diferentes (não, eu não tenho vida social. Ainda tenho que dividir o resto do tempo entre o trabalho, os animes, os filmes, os mangás, os livros, o blog, uma página no facebook, um PS2, duas cadelas, cinco gatos - 2 meninas e 3 meninos -, uma mãe e a tentar escrever um livro que vem se arrastando por anos), e realmente, se for levar em consideração o modelo, ambos são bem parecidos.

Mesmo as séries mais pesadas, como Breaking Bad, apresentam um elemento muito em comum com a novela: o drama. Intriga, traição, manipulação... Tudo isso tem. E geralmente também usam um recurso que é bastante explorado nas novelas, que é terminar um episódio com o suspense do que vai acontecer no próximo. Quem nunca, né?

Lembrando que estou falando aqui de uma maneira generalizada, pois exceções podem acontecer dos dois lados, as séries são muito diferentes das novelas porque os mocinhos cometem erros. Fazem coisas ruins, às vezes - às vezes, muitas vezes. Nos deixam com raiva deles. Os vilões também têm suas qualidades. E às vezes fazem coisas que nos fazem desejar que todos tivessem um final feliz.

E aí eu chego no ponto principal da minha dissertação: o final. Novelas me irritam profundamente porque é sempre uma questão de tempo - no caso, o final da novela - para que o mocinho tenha seu tão esperado final feliz, e o vilão, por via de regra, morre/vai preso/acaba numa situação de muito sofrimento ou se redime de uma maneira mágica e instantânea. De um dia pro outro ele descobre que é na verdade uma pessoa boa, apenas incompreendida e seguia o caminho errado, e aí se torna um ícone de tudo o que é mais louvável.

A vida não é assim. Não importa o quanto você se esforce para ser bom, correto e honesto. Isso nunca será o bastante para garantir seu final feliz. Não quer dizer que não seja bom ser assim, embora eu ache que isso é natural de cada um: ou você tem prazer em realizar coisas boas ou não. Não se pratica o bem esperando algo em troca, é simplesmente algo que vem de você.

Não, sua bondade não será recompensada com coisas boas acontecendo na sua vida. E infelizmente, não, suas ações maliciosas e prejudiciais - aos outros e/ou a você mesmo - não serão punidas magicamente com acontecimentos trágicos ou catastróficos. Pelo menos, não necessariamente. As duas coisa acabam acontecendo com todos nós, uma hora ou outra. Mas absolutamente não se aplica ao princípio da alquimia e da troca equivalente.

Durante os dias normais, enquanto fico no computador ou fazendo outras coisas que requerem um pouco mais de atenção, eu deixo a televisão ligada para fazer barulho. Porque eu gosto muito de música e a música acaba drenando toda minha atenção pra ela. E com isso acabo "pescando" uma ou outra coisa que acontece nas novelas. E aí eu acabei conhecendo o caso da dançarina de cabaré que se apaixonou por um monge budista, na novela das 18hs.

Nas férias, com bastante tempo ocioso e menos preocupações na cabeça, acabei prestando mais atenção nessas novelas em alguns dias. E em um deles eu vi uma cena que me tocou profundamente. Essa moça, Matilde, acaba confessando seu amor pelo monge, e ele, completamente devoto a sua orientação espiritual, se encontra incapaz de retribuir o amor dela, o que acaba causando uma sensação de muito sofrimento. Em um episódio, acontece um beijo lindo entre os dois, que acabaria se revelando apenas imaginação dela. E num outro dia, depois de alguma coisa que eu não assisti, ele resolve voltar pro Himalaia para se afastar da moça e impedir toda aquela dor.

A despedida deles foi muito triste, e aí entra um fator muito importante: exatamente nessa época eu estava passando por uma situação pessoal muito semelhante - não, eu não estou/estava apaixonada por um monge budista -, tentando lidar com a rejeição de uma pessoa que, assim como o dito monge da novela, admirava e gostava da dançarina, mas simplesmente não a amava. Tem coisas na vida que são assim, não tem como a gente fazer ou desfazer, né? Amar ou não alguém não está ligado a qualquer interruptor que você aciona quando quer ou precisa. Acontece. Esse fenômeno também é conhecido como friendzone, mas tenho a impressão que só os homens podem se lamentar quando isso acontece, porque só eles são dispensados quando tratam a mulher com carinho e respeito (por favor, parem. Simplesmente parem de se vitimizar assim)

Então isso mexeu muito comigo, eu me identifiquei muito com aquela situação e aquele momento, porque aquilo sim parecia humano e possível, as coisas na vida da gente dão errado, gente. É assim que acontece na maior parte do tempo. E é por isso que a gente se sente tão feliz quando as coisas dão certo. A satisfação do sucesso é potencializada quando comparada à frustração da falha.

Pois bem, mas por um instante eu esqueci que se tratava de uma novela da Globo. E o que aconteceu? Durante uma peregrinação o monge teve uma revelação de que sim, amava aquela moça e que tudo o que tinha vivido até então era apenas um caminho que o tinha preparado para aceitar aquele amor. Então, ele tratou de voltar para o Brasil e até onde eu sei ele e a Matilde estão vivendo felizes para sempre - essa é minha última semana de férias, então já não venho acompanhando mais o que anda acontecendo.



Entendeu onde eu quero chegar?

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Quando sua mãe diz que é gorda


Oi, gente. Esse texto eu tirei lá do Cinese e acho que é o melhor que eu já li sobre o tema. Embora seja um assunto muito mais discutido hoje em dia, a aparência física ainda parece ser tudo o que a gente tem que oferecer ao mundo.
As imagens daqui foram escolhidas por mim.

Quando sua mãe diz que é gorda.

Por Kasey Edwards

Querida mãe,

Eu tinha sete anos quando descobri que você era gorda, feia e horrorosa.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Compreensão, compreensou, compreensomos


Que atire a primeira pedra aquele que nunca se afastou um pouco dos amigos quando começou a namorar. Ou aquele que se sentiu um pouco isolado porque o amigo começou a namorar.

Aliás, vou além: quem nunca se sentiu um pouco usado depois de passar semanas, meses, conversando diariamente com alguém, dividindo lástimas, ouvindo problemas, e de repente... As coisas começaram a dar certo para esse alguém, e você ficou lá, sozinho... E continuou com suas próprias lástimas.

A verdade é que eventualmente você pode acabar sendo usado sim, às vezes a gente tem a infelicidade de se envolver com pessoas de mau caráter. Mas também é verdade que em muitos desses casos, não tem nada a ver com ser usado. Tem a ver com uma palavra chamada compreensão.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Same old shit

 Down in a hole by ~matmoon, on deviantART

Sou dessas pessoas que está mais ou menos acostumada a se sentir pra baixo.
Sempre acompanhada por uma sensação de melancolia e de vazio.

Alguns dias são melhores, outros piores.
Poucos praticamente insuportáveis. Poucos realmente memoráveis.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

No, I'm not going to the world cup/Não, eu não vou à Copa do Mundo


Olá, calorosos fãs! Estamos aí, Copa das Confederações e tudo mais, ano que vem a Copa do Mundo e 2016 as Olimpíadas. Mas o que realmente isso significa? É uma vitória do país? Ou é apenas mais uma gracinha para inglês ver?

Semana passada explodiram os protestos, inicialmente por causa do aumento das passagens de ônibus, o que foi seguido pela repressão policial e que evoluiu para outro patamar, onde as pessoas parecem finalmente começar a perceber que nós, como população, como povo, temos poder sim, e não é pouco.
  
Depredação e vandalismo: o que acontece? Talvez pela primeira vez, ou talvez não a primeira, mas com maior foco, a mídia finalmente começa a mostrar que as pessoas que saem a fim de fazer algazarra não são as mesmas pessoas que saem para exigir seus direitos. Mas o buraco é mais embaixo.

terça-feira, 27 de março de 2012

O tabu de não ser mãe

Houve um tempo em que eu tinha pavor de ser mãe por ser muito nova. Com o passar do tempo esse medo foi incrementado por não ter condições financeiras para arcar com uma criança. Mais tarde, ficou só a parte do financeiro, mas de certa forma eu me sentia pronta para a maternidade.

Hoje, com 28 anos, e isso já faz um bom tempo, eu simplesmente não quero mais ser mãe. E esse sentimento foi multiplicado infinitamente por trabalhar em uma escola municipal de Ensino Fundamental de um bairro de classe média/classe média baixa.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Quero esquecer de esquecer! (ou lembrar de lembrar)

Nomes, números, rotina, repetição. A tudo isso eu me ajusto muito bem. É fácil lembrar de lavar a louça, o cinzeiro, o nome dos filmes que eu vejo, das pessoas que eu conheço, dos livros que leio, número de matrícula, RG, CPF (meu e da minha mãe, veja só.) e até de personagens de livros/filmes que li/assisti há anos.

Quer dizer, meu cérebro arquiva informações com grande facilidade, mas na hora de me lembrar qualquer pequena coisa que fuja da minha rotina... Vai tudo por água abaixo. Não sei se é por causa do final de ano - trabalho em uma escola municipal -, mas ultimamente tem ficado mais e mais grave.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Vou sentir saudades (mentira!)

Vou sentir saudades de compartilhar exatamente tudo o que eu estava pensando e sentindo, mesmo sem saber se alguém do lado de lá se importava.
Vou sentir saudades de ter de seguidores quase o dobro de seguidos e me iludir que isso me tornava uma pessoa especial.
Vou sentir saudades de ter meus comentários analisados, julgados e sendo alvo de indiferença, desprezo e deboche alheio.
Vou sentir saudades de ler um sem número de indiretas e ficar mentalmente roendo as unhas tentando adivinhar se era ou não para mim.
Vou sentir saudades de perceber que eram mesmo para mim.
Vou sentir saudades de ter minhas opiniões dissecadas, mal compreendidas e distorcidas.
Vou sentir saudades de confundir seguir e ser seguida com amizade.
Vou sentir saudades de me decepcionar com opiniões pequenas e ácidas vindo de pessoas que eu considerava importante, de alguma maneira.

Mentira, não vou sentir saudades de nada disso. Tem momentos em que você precisa analisar se uma coisa continua funcionando para você ou se você está apenas apegado àquele relacionamento vicioso e nocivo. E depois de pesar isso tudo, resolvi excluir minha conta no twitter, e o facebook que não se cuide, ou vai acabar no mesmo buraco.

Eu, como a maioria de vocês, já lido com bastante dificuldade lá fora para ter que enfrentar esse tipo de coisa dentro do conforto do lar, vindo de pessoas com as quais você sequer é obrigado a conviver. Praticar o desapego, não é como dizem?

Cansei dessa merda.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Boa noite, travesseiro

Às vezes é um amigo, às vezes inimigo. É quando deito nele a cabeça que faço o balanço não só do dia que passou, mas da vida toda de uma maneira geral. É quando me envergonho de atitudes pouco louváveis que já tive, onde me lamento por todas as promessas que fiz - principalmente para mim mesma - e não cumpri, onde planejo como as coisas serão diferentes "amanhã".

Tomo decisões, firmo contratos imaginários, choro e penso, penso incansavelmente. Na verdade, cansa sim. Cansa muito. Às vezes não choro de tristeza, choro de tanto pensar. Lembro de todas as coisas boas, mas também das ruins. É quem mais me faz companhia e divide comigo os pensamentos mais profundos, aqueles que eu não divido com ninguém, que talvez não quisesse dividir nem comigo mesma.

Mas dele... Dele não escapa nada. Se meu travesseiro pudesse contar histórias, talvez surpreendesse até a mim. Contaria coisas das quais eu nem lembro. Me lembraria de todas as coisas que eu já pensei em dizer mas esqueci, ou simplesmente desisti. Como um bom amigo, me diria todas as noites para não desistir, e que vai estar me esperando na próxima noite, sedento por novas e boas notícias. Que independente do que acontecesse, estaria ali me esperando, para descansar minha cabeça mais uma vez.

Boa noite, travesseiro.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O fantasma do Ontem

Acordou confusa, a cabeça pesada, com o som de seu telefone. Levantou-se com dificuldade e caminhou até o aparelho. Era uma colega de trabalho. Estava atrasada. A sensação de urgência a dominou e, após inventar uma desculpa qualquer, começou a correria.
Um banho rápido, para tirar a sensação do "ontem" do corpo. O que havia acontecido ontem? Começava a receber os flashes. Lembrava-se da mesa de bar, de estar com os amigos. Bebida, bebida, bebida... Daí para frente, a lembrança se tornava nublada.
Seu desejo era de não se lembrar de nada. Mais uma vez acabou parando na casa de desconhecidos, qual a sequência de eventos que a levara até lá? Algumas imagens novas, nada de revelador. Mais lembranças embaraçosas, recordou-se de um tombo ao pé da mesa. As pessoas foram prestativas em ajudá-la, mas em sua cabeça, sabia bem o que estavam pensando. Aquilo era humilhante demais. Como podia parecer tão divertido, na hora?
Todo orgulho que tinha da pessoa que era desaparecia nesse momento. Onde ia parar aquela mulher tranquila, inteligente e equilibrada?
Lembrava-se agora das drogas. Durante o banho, entendia agora a necessidade de tanto assoar o nariz. Quantas vezes já havia repetido a si mesma que aquilo não era para ela? Sentiu nojo de si mesma. Mais uma vez. Pelo menos não tinha chorado na frente de todos. Tinha deixado isso para fazer dentro de casa. A visão do dia nascendo mais uma vez era como uma punhalada em seu peito. Sua vontade era de apagar o sol só para não ter que lidar com a noite que acabara de deixar para trás.
Aquilo trazia o que de pior havia nela. Todos os pequenos problemas se tornavam grandes demais para continuarem sendo carregados nas costas. Perdia o controle de seus sentimentos e ações. Lembrava agora de arremessar algumas coisas nas paredes. De chutar outras. De chorar no chão. Por sorte não havia quebrado nada.
Saindo do banho, conferiu as roupas. Sujas. Lembrou-se que no momento da queda, o chão estava sujo com bebida. Sua vergonha causando embrulho no estômago. Cortara o dedo. Lembrava-se do sangue na blusa branca, que lavou no banheiro do bar. Tudo aquilo parecia normal na hora. Por que não conseguia encarar o próprio reflexo no espelho, agora?
Consumida pelas lembranças e pela vergonha, vestiu-se e saiu para o trabalho.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Conquista (?)

Um amigo meu abriu uma discussão - amigável - no twitter com a seguinte frase: "qualquer mulher que você tenha que se esforçar para conquistar, não vale a pena.". Eu concordo, e vou explicar o motivo.

Para início de conversa, o que quer dizer conquistar?

conquistar con.quis.tar (lat med conquistare) vtd 1 Subjugar, submeter pela força das armas; vencer: "Conquistar terras alheias" (Luís de Camões). 2 Adquirir à força de trabalho; alcançar: Conquistar a reputação, a subsistência. Com as suas poesias conquistou os louros de insigne versejador. Em vários combates conquistou fama e glória. Pelas suas obras e virtudes, conquistou renome imperecível. 3 Adquirir, ganhar, granjear (amizade, corações, ódio etc.): "Conquistou-o em pouco tempo" (Francisco Fernandes). Com dedicação e meiguice, conquistou-lhe o coração. 4 Conseguir o amor de: "João Homem... deixou-se estar por Coimbra a conquistar senhoras" (Camilo Castelo Branco). 5 Atrair: Esforçava-se por conquistá-lo à sua política.

Tendo isso em vista, temos duas possíveis interpretações aqui nesse caso: Ou você conquista alguém pelo que tem a oferecer ou consegue isso na marra. E quando colocamos essa interpretação na frase que iniciou a discussão, na minha visão, se esforçar para conquistar alguém... Not good.

Para começar, a conquista não pode - pelo menos não deveria - ser unilateral. Eu não espero ser o tipo de pessoa tão boa que inspire em outras pessoas a ideia de que me conquistar será um ato árduo e penoso, tendo que se sobressair a outras pessoas para que isso aconteça.


Acho que a conquista acontece aos poucos, e mutuamente. Se alguém tem que fazer força para te conquistar, quer dizer que alguma coisa nela de alguma forma te impede de fazer isso acontecer de forma natural. Flores, jantares, passeios? Isso tudo é muito legal, se você sentir prazer no que está fazendo. Não obstante, a outra pessoa tem que sentir prazer também, e não usar isso como algum tipo de artimanha para ganhar sua admiração - ou sabe-se lá mais o que - e depois talvez nem ela mesma saiba o que fazer com isso.

Nós podemos controlar nossos atos - bem, depende do nível de entorpecentes envolvidos... JUST KIDDING! -, mas não podemos controlar nossos sentimentos. Mencionei isso por causa de uma frase dita no ato da conversa: "Porém, quando se está conhecendo a pessoa, eu acho que não devo ser fácil demais". Pois eu digo mais: independente de eu concordar ou discordar com isso, no auge de meu limitado raciocínio enquanto ser humano, acho que se alguém realmente faz questão de te conquistar, isso deve ser pelo que você representa não só para ela ou para o mundo, mas para você mesmo...

Quero dizer, somos todas pessoas diferentes (com a graça dos céus), e reagimos de maneira diferente uns dos outros nas mais variadas ocasiões. Independente de você ser uma pessoa regida mais pela moral e bons costumes ou impulsionada pelos desejos e pelos momentos, cabe ao indivíduo te aceitar exatamente pelo que você é. Porque se for para fingir - e pior do que fingir para os outros, é fingir para você mesmo - que você quer uma coisa enquanto quer outra ou que está sendo uma pessoa quando na verdade é outra...


Uma das duas coisas vai acontecer: ou você vai se decepcionar, ou vai decepcionar alguém. E o resultado disso, é que ambos vão perder seu precioso tempo enquanto seres vivos andantes e - supostamente - pensantes.

Se alguém me agrada, não vejo motivo para desperdiçar ótimos momentos juntos fazendo jogos de conquista.  Se não me agrada, não vejo motivo para desperdiçar o tal precioso tempo - meu, ou dos outros - fantasiando uma situação que existe e nunca vai existir. O importante é passar tempo juntos e deixar acontecer o que tiver que acontecer, e se não acontecer, paciência.

Se essa pessoa não for boa o suficiente para você, torne as coisas claras e não a mantenha presa a você. Você é melhor do que aqueles doentes mentais que acham bonito ter milhares de pretendentes sendo que na verdade não se interessam por nenhum. Se você não for bom o suficiente para essa pessoa - indo para a cama no primeiro encontro, por exemplo -, significa que ela nem deveria ter entrado na sua vida.

Se você é fácil demais, é bom prestar atenção nos aproveitadores. Se é difícil demais, pode estar perdendo ótimas ótimos momentos e oportunidades. Leve a vida com leveza, se divirta, esqueça os conceitos, viva, divirta-se e permita-se proporcionar isso a outras pessoas, também.

Só eu acho as coisas simples assim?

Cuidado com os viciados na adrenalina da conquista!

sábado, 13 de agosto de 2011

Sal de frutas


Alívio imediato. Basta adicionar água, esperar borbulhar e mandar pra dentro. E não é que funciona mesmo? Fico a me perguntar quando é que vão inventar o sal de frutas para a mente, para a alma e para o coração. Imagino a sensação de alívio imediato agindo sobre minhas angústias, questionamentos, dúvidas, lamentos e dores. De dar inveja até a Raimundo Fagner com suas borbulhas de amor.

sábado, 2 de julho de 2011

Até quando?


Você vai usar sua ausência de rugas para justificar os erros imaturos que comete? Até quando vai usar a desculpa de que está velho demais para isso?
Até quando vai se comportar como uma criança, agindo como se o mundo estivesse numa espécie de complô contra você?
Até quando vai fingir que as opiniões das outras pessoas não contam e que você é completamente auto-suficiente? Até quando vai continuar dependendo de outras pessoas para tudo?
Até quando vai confundir "personalidade" com "falta de educação"? Até quando vai confundir "gentileza" com "obrigação" de agradar a todos?
Até quando vai inventar desculpas esfarrapadas para não se envolver em um relacionamento de verdade? Até quando vai inventar desculpas para se agarrar a pessoas que sequer merecem sua atenção só por que você mesmo precisa de um pouco de atenção?
Até quando vai repreender quem expõe seus desejos e frustrações e reprimir seus próprios? Até quando vai fingir que não se importa com os problemas das pessoas que te cercam, e se você realmente não se importa, é ainda pior do que você poderia pensar.
Até quando vai pensar que você é melhor que os outros? Até quando vai pensar que é o pior de todos?
Até quando vai continuar culpando as outras pessoas por tudo de errado que acontece com você? Até quando vai continuar se culpando por tudo que acontece de errado com você?
Até quando?

Eu não escrevi isso para alguém especial, escrevi para todos vocês. Para todos nós. Especialmente para mim mesma.

Algumas coisas, podemos mudar. Outras, não. E tudo o que podemos fazer às vezes é no mínimo um esforço para diferenciar uma coisa da outra. E torcer para acertar. A juventude não vai durar para sempre, assim como ser adulto ou ser idoso não é uma sentença de morte. Devemos nos adaptar às nossas próprias mudanças, às mudanças daqueles que nos cercam e do próprio ambiente em que vivemos. O que não quer dizer que você deva aceitar tudo. Mas também não quer dizer que não possa aceitar nada. Uma hora ou outra temos que amadurecer e simplesmente lidar com as coisas, e isso é desagradável, mas inevitável também.


Um beijo e um queijo.

domingo, 22 de maio de 2011

Um pouco da amizade

O que é mais difícil? Ser um bom amigo ou ter bons amigos? Talvez ainda mais difícil seja falar de amizade. O que é amizade então?

Um bom amigo não precisa estar na mesma cidade que você, nem no mesmo estado, de repente nem no mesmo país! Não precisa estar em contato contigo 24 horas por dia, todos os dias, necessariamente. Mesmo bons amigos podem passar dias, semanas, meses e até mesmo anos sem se falar, que quando voltarem a se encontrar, a conexão será a mesma.

Um bom amigo não precisa - e nem deve! - passar a mão na sua cabeça quando você estiver errado. Se uma pessoa realmente se preocupa com você, vai apontar seus erros para você continuar crescendo como ser humano. Mas um amigo de verdade nunca irá te julgar. É dever do amigo repreender quando você está fazendo uma cagada, mas ele não vai só apontar o dedo na sua cara e dizer o quanto você está sendo imbecil. Ele vai te ajudar - mesmo que às vezes não consiga - a encontrar uma solução para os erros que você cometeu ou está para cometer.


Um bom amigo pode ter dividido a vida inteira com você, alguns anos ou até mesmo alguns dias. Se você e outra pessoa realmente nasceram para ser amigas, é bem possível que essa relação se estabeleça de imediato. Ou talvez leve algum tempo, para os mais desconfiados. Se a amizade é verdadeira, ela nunca morre.

Um bom amigo está lá para dividir com você as coisas boas e as coisas ruins. Fuja de gente que te procura só quando está com problemas, mas deixa você ser o último a saber quando alguma coisa boa acontece. Você não é muleta de ninguém. Compartilhar dificuldades é importante, mas dividir as alegrias é tanto quanto! Se uma pessoa não faz questão de que você fique feliz junto com ela, talvez seja o momento de você também não fazer questão de ficar triste junto com ela.

Um bom amigo serve de inspiração. Você admira e quer realizar coisas como aquela pessoa, e mesmo quando ela erra, aprende junto com ela. Faz parte também da amizade você querer matar a outra pessoa por ver ela se destruindo de alguma forma, mas como não vai fazer isso com ela - e nem com mais ninguém, viu? - a única coisa que pode fazer às vezes é oferecer seu apoio e mostrar que pelo menos alguém no mundo se importa com ela: você.


Um bom amigo sabe respeitar os momentos em que você não está muito a fim de papo, e aqueles dias em que quer falar sem parar. Entende quando às vezes você parece meio distraído quando ele está falando alguma coisa importante. Porque todos temos nossos dias bons e nossos dias ruins. Se hoje seu amigo não te deu muita atenção, é bem provável que se sinta culpado depois e tente se redimir de alguma maneira, mesmo que você não perceba. Um bom amigo não te cobra atenção, porque ele sabe que sua atenção já é dele.

Um bom amigo é o primeiro a elogiar quando você faz alguma coisa bacana, e te incentiva a sentir orgulho daquilo. Mas também é papel do bom amigo ser sincero quando não acha essa coisa tão bacana assim, de preferência dando sugestões sobre como melhorar aquilo.

Enfim, um bom amigo é aquele que vê você como parte dele, e mesmo que às vezes vocês passem algum tempo afastados - horas, dias, meses, anos -, saiba que você estará sempre no coração e na mente daquela pessoa.


Porque vocês, meus amados amigos, estão comigo e em mim o tempo inteiro.

Marianne, minha querida e antiga amiga, que escreveu para mim uma carta depois que leu uma carta que escrevi para um amigo dela que tinha encontrado nos classificados da revista Roadie Crew. Ainda temos as cartas, e depois que me mudei para Uberlândia vindo de Patos de Minas, perdemos contato por um tempo até retomarmos contato pela internet. Nos falamos todos os dias e o assunto não acaba nunca e mesmo nunca tendo nos encontrado pessoalmente, é uma pessoa que já dividiu muitas alegrias e tristezas comigo, e embora as coisas que tenham nos unido na época nem sejam mais as mesmas, não consigo me imaginar sem ela.

Luana, minha amiga de infância, hoje casada e mãe de dois filhos. Praticamente uma alma gêmea. Depois que nossos caminhos se separaram, ficamos vários anos sem ter notícias diretas uma da outra. Mas se tem uma pessoa que eu sei que nunca irá julgar sequer o meu ato mais sórdido, essa pessoa é ela. Sempre tivemos uma ligação meio cósmica, e ela sempre será a irmã que eu nunca tive. Não consigo me imaginar sem ela.


Mônica, minha amiga distante que já nem mora mais no lugar em que a conheci, em janeiro (vide postagem). Nos falamos tão pouquinho, em tão raras ocasiões, mas que mesmo assim mora no fundo do meu coração e tem minha total admiração por toda atitude que tem em buscar sua realização sem a ajuda de ninguém, se arriscando em lugares novos, casas novas, empregos novos... Uma mulher forte escondida atrás de uma menina frágil... Ou seria uma mulher frágil escondida atrás de uma mulher forte? Só posso dizer que de uma forma ou de outra, não consigo me imaginar sem ela.

Juliana, minha mais nova amiga, o oásis de esperança de vida inteligente no Triângulo - Mineiro - das Bermudas. O pouco tempo que conheço essa pessoa é realmente pouco para explicar o tamanho da admiração que sinto por ela, por toda sua história e pela relação sincera e bonita que foi capaz de me oferecer sem exigir nada em troca. Se tem alguém que eu sei que vai ser a primeira a me dar uma merecida bronca quando eu fizer alguma cagada, vai ser ela! E mesmo com tão pouco tempo de amizade, já não consigo me imaginar sem ela.

São muitas as meninas e mulheres fortes, especiais, sinceras e sensacionais que eu gostaria de citar mas a postagem ia ficar gigante, mas saibam que estão todas aqui comigo sempre. Luciene, Mara, Katiane, Fernanda, Éllen, Camila, Marcia, Renata, Laura, Nichele, Paula... Todas vocês fazem ou fizeram parte da minha vida de certa forma, e eu não seria a mesma pessoa que sou hoje se qualquer uma de vocês não tivesse cruzado o meu caminho. O que mais me resta a dizer, senão o meu muito obrigada?


P.S. Vou deixar um beijo especial e querido a todos os meus amigos meninos também, que não são poucos e de maneira alguma menos importantes. Udiones, Flávio, Rafael, Marcel, Ricardo, Himura, Camilo, Carlos Henrique, Ademar, Davi, Gustavo, Heitor, Leninho, Rodrigo... Na internet ou na "vida real", vocês também são responsáveis por tudo o que sou hoje e tem bastante bastante espaço no meu coração para todos vocês!

Minhas sinceras desculpas se não mencionei seu nome aqui, mas escrevi de cabeça e pode ser que tenha passado batido por alguém importante!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

E o eterno caminhar?

A vida nada mais é do que um eterno caminhar, repleto de provações, que de vez em quando te oferece uma recompensa só para te lembrar de que vale a pena continuar andando.

Nessa jornada que muitas vezes não parece nada fácil somos obrigados a nos levantar a cada tombo, a se recompor a cada tropeço, e às vezes, por obrigação, temos que fazer coisas que não temos vontade, ou que não sentimos o menor prazer em fazer, simplesmente porque essas coisas tem que ser feitas.

Somos magoados, magoamos pessoas, nossa existência afeta direta e indiretamente a existência de muitos outros seres humanos. E algumas vezes de formas que gostaríamos que não tivesse que acontecer. Mas acontece. E enquanto seres vivos sociáveis, isso vai continuar acontecendo. Por diversas vezes magoamos pessoas a quem amamos, respeitamos, e dizemos coisas que preferiríamos nunca dizer, mas que simplesmente precisam ser ditas, por mais dor que isso cause.

Difícil é continuar caminhando quando se sente que não vai mais conseguir fazer isso. Difícil é continuar caminhando mesmo quando não se quer continuar. E difícil é continuar caminhando quando você percebe que simplesmente não consegue parar de caminhar.

A busca pela realização é eterna, as dores e as decepções sempre vão continuar acontecendo. E quando você pensa que está acostumado àquela triste rotina, como uma maldição, alguma coisa acontece para te fazer novamente sentir algum prazer em prosseguir com sua jornada, para novamente o ciclo se iniciar.

Dor, prazer, abandono, satisfação, decepção, esperança...

E dói muito mais quando você se vê obrigado a abrir mão de algo que sabe que tinha tudo para ser perfeito, simplesmente porque aquilo não foi feito para você. E ainda pior é quando você não é o único envolvido. E ainda um pouco pior é quando você descobre que lida melhor com sua própria dor do que com a dor dos outros. Quando percebe que preferia estar você mesmo sofrendo ao invés de ter que ver outra pessoa passando por isso. E de simplesmente não poder fazer nada para evitar. E o quanto é insuportável causar dor a outra pessoa enquanto a única coisa que você buscava era a tal da felicidade. E que pedir desculpas de nada adianta, ao contrário, só parece fazer piorar, ainda assim é a única coisa que se tem a fazer? Difícil é fazer outra pessoa acreditar em suas palavras quando você mesmo não tem vontade de acreditar nelas.

E aí você se pergunta: Como definir se é o momento de mais uma vez baixar as portas para balanço, ou se a solução é decretar falência de vez?

E aí eu me pergunto: Vale mesmo a pena?

terça-feira, 19 de abril de 2011

Behind the mask

"E quão hipócritas são essas almas, a queixar-se incansavelmente pelos cantos da hipocrisia alheia!"

- Julie Way

domingo, 10 de abril de 2011

Ser cool é ser cruel?

Faz tempo que estou querendo escrever sobre isso, mas confesso que um grave bloqueio resolveu se instaurar sobre minha preciosa mente. Cheguei até a escrever, mas ficou um texto tão porco que resolvi ignorar e começar novamente.

Tenho reparado em uma coisa que não sei se aconteceu sempre e eu nunca reparei, se ficou mais frequente ou se realmente é coisa nova.

 A popularização dos computadores e da internet causou um fenômeno muito curioso, hoje parece que todo mundo é obrigado a ter opinião sobre tudo e a deixar bem claro para o mundo que opinião é essa. Mesmo que ninguém tenha perguntado. E mesmo quando não se tem condições nenhuma para se criar uma opinião sobre tal assunto. E o que mais me incomoda: a agressividade.

Exemplo fictício: eu escrevo uma postagem, explicando os motivos racionais de porque eu não gosto de Restart. Resposta agressiva: "você é uma invejosa, mal-amada, recalcada, vai tomar no $% sua &#%$". Sem qualquer tipo de argumentação.

No twitter também é bastante comum ver ataques a determinadas bandas e/ou times, e o pior, àquelas pessoas que gostam destes. Uma coisa é você não gostar de Restart, como eu. Outra, é classificar todos que gostam como retardados, infantis, ou coisa do gênero. Eu classifico, no máximo, como alguém que não tem bom gosto para música. Mas sei que provavelmente vão achar o mesmo de mim. Estão errados? Quem é a autoridade maior que disse que Rock é bom e que Axé é ruim, por exemplo? Por mais que eu tenha certeza de que essa é a classificação correta, não tem nada de absoluto que prove que eu estou certa. Essa é uma impressão minha, nada mais do que isso.

Outra coisa que me incomoda profundamente: se referir a torcedores de um ou outro time como uma massa única. São paulinos são homossexuais - não que isso seja defeito, longe de mim querer insinuar uma bobagem dessas -. Flamenguistas são pobres. Corinthianos são bandidos. ALÔU?? Gente, ninguém tem um comportamento pré-determinado a partir do time que torce não! Tem são paulino bandido, corinthiano pobre e flamenguista homossexual!

Onde eu quero chegar: uma pessoa não é indigna de confiança ou afeto ou de amizade simplesmente porque ela ouve Restart e/ou reza para uma entidade diferente da minha e/ou torce para um time diferente do meu. Acho que expressar suas opiniões e suas ideias é legal, e é importante, mas canja de galinha e um pouco de tato nunca fez mal a ninguém.

Do mesmo jeito que alguém não é pior por ser católico, outra pessoa não é melhor porque gosta de, sei lá, Led Zeppelin. Você pode ser roqueiro, curtir as coisas mais clássicas ou as mais underground do mundo que isso não faz de você especial. Essa vontade de atacar e ofender coisas que fazem sentido para outras pessoas só me remete à sensação de que esse sujeito se sente vulnerável em relação às coisas que gosta e/ou acredita.

Tragédia no Rio de Janeiro. Eu não fico chorando mágoas, mas tenho um profundo respeito e pesar pelas famílias das pessoas que perderam ali filhos, sobrinhos e netos. É claro que tem gente morrendo todos os dias em todos os lugares do mundo por outros motivos, mas não se sentir penalizado ao ver a dor de uma mãe, de uma avó para mim é coisa de quem não sabe o que é a dor da perda. E que tal esperar um pouquinho para começar a fazer piadinhas? Sou chegada num humor negro, todo mundo sabe, mas acho que não custa nada demonstrar só um pouco de respeito e esperar no mínimo o horror esfriar.

Acho que hoje a gente vive em um mundo onde não se respeita mais um ao outro, as pessoas pensam muito pouco em qualquer um além delas mesmas, e acho que essa necessidade de querer parecer inteligente - o que às vezes nem é necessário, porque essa pessoa de fato possui inteligência - é no fundo necessidade de ser notado, de ser amado, mimado, ou até mesmo ofendido. Porque assim sabe que sua "opinião" surte efeito em alguém.

Quero deixar claro que minha opinião não é ofender ninguém. Se você se sentiu ofendido com alguma coisa aqui, é hora de parar para pensar: talvez você ande ofendendo bastante gente por aí.


Obs.: a ideia do título da postagem veio de um tweet do Maurício Ricardo, cartunista famoso pelas charges do BBB e que mora na mesma cidade que eu.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Meu calor


Sinto o toque de suas mãos ásperas deslizando por minha pele fina.O peso de seu corpo de homem encaixando-se entre minhas pernas já é um velho conhecido. Sinto faltar o ar por um instante. Seus dedos entrelaçados em meus cabelos me torna uma pequena marionete sob sua vontade. Me carregando hora pra cá, hora pra lá, faz de mim seu brinquedo. Uma alegre vítima de seu desejo terno e ardente. Sinto a pele arrepiar quando cola seu corpo moreno no meu. Uma vontade incontrolável de tornar aqueles dois corpos, um. Meu sangue aquece quando toca meus lábios com os seus. Não faz questão de disfarçar a sede que sente de mim. Tira de mim qualquer defesa com o simples roçar de sua barba mal feita em minha nuca e ombros. É só questão de tempo até me deixar envolver pelos seus movimentos, uma dança particular que me conduz, involuntária. Sem mais hesitar, me entrego, completamente sem forças, a esse fogo que já arde sem queimar. Exausta, envolta em seus braços, me sinto caindo. Me sinto desejada. Me sinto segura. Me sinto... Amada.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sweet Nightmare


Ela gritava, chorava, arrancava os cabelos.
Se arranhava, e mutilava, em desespero.
Sentia o peito arder em brasa,
Queria arrancar o coração com as unhas.

Exausta, retornava ao buraco que chamava "lar".
O único que parecia caber uma criatura como ela.
Adormecia sem sentir o sono chegar.

Abria os olhos todas as vezes
Enxergando aquela mesma imagem
vez após vez, num ciclo idêntico e infinito.

Mas a imagem embaçada desaparecia diante de seus olhos,
E aquele breve momento,
O único que parecia fazer algum sentido,
Passava, como tudo o mais passava para ela.

E sentia chegando de novo.
De novo, de novo e de novo.
Sentia o fogo chegando mais uma vez.
Sabia que ia queimar novamente.

E se mutilava, arrancava os cabelos e se arranhava.
Chorava e gritava até findar a voz.
Antes de se recolher, como sempre fazia.
Ao único lugar que cabia uma criatura como ela.
Aquele que a fazia adormecer sem sentir o sono chegar.
E que traria mais uma vez a imagem que a fazia seguir em frente.