quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

American History X

Ou "A Outra História Americana"


Derek (Edward Norton) busca vazão para suas agruras tornando-se líder de uma gangue de racistas. A violência o leva a um assassinato, e ele preso pelo crime. Três anos mais tarde, ele sai da prisão, e tem que convencer seu irmão (Edward Furlong), que está prestes a assumir a liderança do grupo, a não trilhar o mesmo caminho.

Eu estou sempre assistindo a muitos filmes, e com a quantidade que já vi de lá pra cá, poderia fazer mais uma ou duas Filmolândias, mas não me senti inspirada para tal, mesmo tendo visto filmes muito bons. Antes de ontem mesmo, vi Trainspotting pela primeira vez, e me perguntei: "cara, como é que eu ainda não tinha visto esse filme antes?".


Mas ontem, ao assistir American History X, é que fui compreender o verdadeiro significado dessa pergunta. Sempre gostei de filmes perturbadores, fortes, daquele tipo que te deixa enjoado, nervoso, deprimido, e até mesmo meio chapado (como Laranja Mecânica e Réquiem para um Sonho). Mas fazia tempo que um filme não mexia tanto com meus sentidos e sentimentos como esse.

Edward Norton é sem dúvida um dos atores que mais admiro pelo seu trabalho, e percebo o quanto ele é filhadaputamente bom quando alguém que gosto tanto consegue me provocar náuseas. O filme não tem um ponto alto. O filme inteiro é um ponto alto. Assisti do início ao fim com a sensação de que meu coração ia sair pela boca, numa mistura de medo, horror, nojo, tristeza, esperança, decepção, angústia, e outras coisas que a gente simplesmente não consegue descrever, apenas sentir.


A Outra História Americana é um dos filmes que melhor ilustra o poder do discurso e da oratória. O quanto pessoas não conseguem andar com as próprias pernas simplesmente necessitam de alguém lhes dizendo o que fazer, e como fazer. O quanto é fácil plantar uma ideia em uma mente que carece de rédeas próprias. Mostra o quanto uma pessoa pode causar mal a si mesma e aos outros no afã de tentar empurrar guela abaixo suas convicções.

E convém não esquecer que embora o personagem principal seja um neo-nazista, na cabeça dele - e infelizmente, na de muitas outras pessoas que seguem essa filosofia ou outras semelhantes -, isso é o certo. É a única verdade possível, e isso me faz lembrar, e muito, a posição de um sem número de pessoas em relação à religião. E aí, novamente, entra a figura do orador, que levanta a voz e te diz o que sentir, o que pensar e como agir em relação a isso. E o quanto as outras pessoas estão erradas em não pensar como você. Até que ponto é necessário ir para forçar o triunfo dessa ideia?


Mas como se falar sobre isso tudo não fosse o bastante, o filme também coloca em pauta o quanto uma atitude sua pode influenciar a de outra pessoa, mesmo sem intenção. E sobre o poder de mudança que você pode exercer em você mesmo quando abre os olhos justamente para enxergar em seu objeto de repulsa, aquilo que pode salvar sua vida.

Enfim, é sem dúvida um dos melhores filmes que já vi em toda a minha vida, e tive até dificuldades para dormir depois, embriagada com tantos sentimentos e emoções, com os olhos ainda marejados.


Assista, e tire suas próprias conclusões.

Um comentário:

  1. Escrevi um artigo sobre o filme contando o grande problema ideológico de "controle de mentes" que ainda existe hoje. Indico aqui: http://lounge.obviousmag.org/fabulas_do_mundo_esquecido/2014/07/os-dois-lados-racistas-de-a-outra-historia-americana.html

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